quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

...não foi ela (Lima), fui eu (Cavaco)

Não entendo o coro dos ofendidos contra a promoção do Fernando Lima na hierarquia de Belém depois do grande sucesso mediático que foi a operação das escutas. Nem podia ser de outro modo: "feitos relevantes em combate". Aposto que não sai de Belém sem a cruz de guerra.

Acho bem. Fica bem claro do que a casa gasta! Para mim, desculpem se pareço gabar-me, sempre defendi, designadamente aqui e aqui, que em Belém ninguém larga um traque sem o Cavaco mandar.

Por isso o Público avançou com as manchetes das escutas dois dias seguidos com a garantia explícita de que não seria desmentido.

Por isso o Expresso fez aquela manchete de que o Presidente ia dar um puxão de orelhas aos deputados (coisa que afinal depois não fez que já não era preciso!), como se tivéssemos voltado ao tempo do Professor de Santa Comba.

A promoção, vendo bem, faz lembrar aquela anedota do Bocage e desculpem o vernáculo: "O peido que aquela senhora deu não foi ela, fui eu". Sem ofensa para o Bocage, que não estava a falar a sério. Cavaco está. Por isso promoveu aquela senhora.

domingo, 22 de Novembro de 2009

As saudades que eles têm do Muro e da RDA (2)

PCP defende manutenção das escutas para processos futuros. Como as da Stasi, um dia, nunca se sabe. Por isso, por isso, aquela catilinária do Avante contra as comemorações da queda do Muro, lembram-se?

A mão de Henry e a honra da França

Não estou a brincar. A mão de Henry ─ que o árbitro não viu e deu o apuramento à França para a África do Sul ─ está a provocar um debate dramático, que caiu em voo rasante, como mosca na sopa, na grande questão da política francesa do momento: a preservação e o reforço da identidade nacional. La main de Thierry Henry et l’identité nationale! Como se vê.

Sarkozy ao proclamar o primado da identidade nacional francesa, lançou a primeira pedra, a bem dizer, deste debate. E vale a pena lembrar que o fez quando um grupo de energúmenos ─ jovens franceses, de origem magrebina ! ─ vaiou a Marselhesa num outro desafio de futebol, um França-Argélia, no Parque dos Príncipes, salvo erro, e não mais parou, até hoje. Que dá votos. E Sarkozy sabe tocar cordas sensíveis e chamar os bois pelos nomes. Como nos distúrbios das "banlieues" há dois anos quando "a canalha" incendiou milhares de carros durante dez dias.

A "a ideia da França", como dizia De Gaulle no seu tempo, é "virtude", é "coesão", é "grandeza" e o seu hino nacional, respeitado em todo o mundo, celebra valores que honram os franceses: a noção de justiça, uma vida partilhada de honestidade, exemplaridade, para o resto do mundo. É uma espécie de "França, ame-a ou deixe-a" e Martine Aubry, líder do PS francês, considera que é uma vergonha por parte de Sarkozy opor a identidade francesa à imigração.

Que é que isso tem a ver com a mão de Henry? Tudo é política. Foi jogo sujo e a lisura de procedimentos é, ou pretende-se que seja, uma marca identitária da França. Como se viu nas repetições, o jogador desvia com a mão a bola do alcance do guarda-redes, atirando-a para o pé, e centrando para Gallas, que faz o golo. Claro que é batota! Claro que é uma vergonha a França ser apurada desse jeito.

É um exagero dar-se importância nacional a um episódio de futebol? Sou dos que acham que o jogo devia ser repetido e que a Federação Francesa devia ter a coragem de aceitar a proposta da Irlanda, e do próprio Henry, envergonhado, cujo valor de mercado desceu em flecha com a batotice, e contrariar o treinador Domenech, o qual, segundo Cantona, é "o pior que a França teve desde Luis XVI". A comparação só prova que tudo é política, porque Luís XVI, a jogar futebol, só se foi com a própria cabeça depois do episódio da guilhotina.


quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Todo o poder aos sovietes de professores!


E esta, hem?! Ministério pede às escolas para cancelarem a avaliação. Quem o anuncia é Mário Nogueira, líder sindical e dirigente do PCP. A Ministra? Não diz nada, entrega-se. Bem me parecia que ela era/é um erro de casting. Com muito jeito para contar histórias da carochinha, eventualmente. Uma nulidade a conduzir uma politica de educação que sirva os interesses do País, capaz de resistir aos lobies. Qual PREC nem meio PREC ! O que temos é o poder dos sovietes.


segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

"Solene corno" ─ diz o juiz ao marido queixoso

Luiz Henrique Castro da Fonseca Zaidan é um "juiz leigo" (estagiário?), de muito mérito literário, sólida cultura e personalidade forte. Confrontado com uma demanda cível por parte de um marido traído que requer uma indemnização por danos do ex-amante da mulher, nega-lhe provimento, argumentando culpas do autor, que seguramente terá falhado na assistência à esposa e assim terá dado azo à situação em que se encontra de... "solene corno". Um juiz sem papas na língua, como pode ver por este extracto da sentença:

(...)Vale dizer que é cultural, no Brasil, que os homens ´possam´ trair e as mulheres (esposas) não - porque tem o dever moral de serem ´santas´ ou submissas, porque serão as mães dos filhos deles. Há um ditado antigo da época dos senhores de engenho, que diziam: ´pais, prendam suas ´cabras´ que meu ´bode´ está solto, só que, com o passar dos séculos a mulher deixou de ser submissa e está atuante no mercado de trabalho, recebendo o mesmo salário do homem quando ocupa uma função pública. Porém, isso não acontece ainda no trabalho privado.

A mulher está recuperando milhares de anos na escravidão e dependência do homem, ou seja, atualmente ela está se emancipada e indo à luta, batalhando e trabalhando ´como um homem´ (no dizer dos machistas) - ela conquistou o ´direito´ de querer e até de exigir um tipo de relacionamento e de sexo satisfatório e um ótimo desempenho do parceiro e não mais ficar na condição passiva - ela não é mais a que espera e obedece.

O homem de hoje não é mais o ´substrato econômico de uma fêmea insignificante´ e, com alguns homens, no início da ´meia idade´, já não tão viris, o corpo não mais respondendo de imediato ao comando cerebral/hormonal e o hábito de querer a mulher ´plugada´ 24hs, começam a descarregar sobre elas sua frustrações, apontando celulite, chamando-as de GORDAS (pecado mortal) e deixando-lhes toda a culpa pelo seu pobre desempenho sexual. E aí, há o descompasso - mulheres, às vezes, já na pré-menopausa, quase livres do ´fantasma´ da gravidez, no geral com mais tempo livre, com a revolução dos hormônios, carência, fragilidade, desejam um sexo com maior freqüência, melhor qualidade e mais carinho - que não dure alguns minutos apenas, mas que se inicie num olhar, num beijo, numa promessa p/ mais tarde - a arte da conquista - o macho que mostra suas ´plumas´ bem antes do acasalamento. Quando isso vai morrendo, há dois caminhos mais comuns - umas se fecham, ficam deprimidas, envelhecem, ´murcham´ - outras, buscam o prazer em outros olhos (que não as viram jovens), outros braços, outros beijos e se sentem felizes, amadas, desejadas, poderosas! e traem - não traem simplesmente como homens que, no geral, buscam quase somente a satisfação carnal do momento, traem de coração, rejuvenescem, desabrocham.

As mulheres se apaixonam e, principalmente, sentem o ´doce sabor da vingança´ - meu marido não me quer, não me deseja, me acha uma ´baranga´ - (azar dele!) mas o meu amante me olha com desejo, me quer - eu sou um bom violino, há que se ter um bom músico p/ me fazer mostrar toda a música que sou capaz de oferecer!!!! Daí um dia o marido relapso descobre o que outro teve a sua mulher e quer matá-lo - ou seja, aquele que tirou sua dignidade de marido, de posseiro e o transformou num solene corno! quer ´lavar a honra´ num duelo de socos e agressões, isso nos séculos passados, porém hoje acabam buscando o Poder Judiciário para resolver suas falhas e frustrações pessoais. Mas se esquece que ele jogou sua mulher nos braços de outro que soube ouvi-la, acarinhá-la e fez renascer o viço, a alegria, a juventude e, que, principalmente, não a coagiu, não a violentou, não exigiu o ´debitum conjugale´ e, sim, a levou pela mão por caminhos floridos talvez nunca percorridos.

Por isso, depois, num ato de arrependimento o traído resolve ser magnânimo e ´perdoar a adúltera´, recebê-la de ´volta ao lar´ como se nada fora - é como se ele houvesse permitido a ela um vôo solo - ´mais linha na pipa?´ Como fica o outro, que não matou, não roubou, não tripudiou, apenas fez alguém feliz, alguém que precisava dele como de água no deserto.... ele será difamado, execrado, sua profissão abalada, seus valores perderão o sentido??? Acredito que não, aí não cabe ônus ao outro - ele apenas satisfez o desejo de uma pedinte - é crime? não; pecado, não!!!! e se houve a violência da parte da vítima da infidelidade, o outro deverá ser ressarcido por danos morais e sair de cena como entrou - com dignidade - e a vítima da infidelidade que vá a um psiquiatra aprender a lidar com seus fantasmas, que cuide de sua saúde física e mental, que nunca ´jogue na cara´ dela o ´perdão´ concedido - deixe-a com sua auto-estima renovada e não perca de vista que ´a nega é minha, ninguém tasca, eu vi primeiro´ é apenas a letra de um samba e que um pássaro que aprende a voar livremente não se adapta mais à gaiola.... só se muito bem cuidado.

As pessoas, principalmente as mulheres, acreditam muito no casamento e no ´casaram e viver felizes p/ sempre´ - esse é um bom final p/ filmes, livros, histórias da carochinha.... porém, na vida real, isso é quase impossível - o amor tem que ser cultivado, alimentado, sempre! como bem dizem os chineses, em sua sabedoria ´levar avante um bom casamento é como administrar uma fazenda - é preciso começar tudo de novo, todas as manhãs.

(...)

Brilhante! O "juiz togado" (titular?) homologou o projecto de sentença do juiz estagiário Fonseca Zaidan, um nome a reter, na magistratura judicial, do Brasil. A notícia e o texto integral da sentença podem ser lidos aqui.

Ah como é diferente a Justiça em Portugal!


Mau tempo na Justiça

Vale a pena ler a análise de Miguel Abrantes no Câmara Corporativa sobre "Os inimigos do Estado de Direito". Na negra hora que passa, em que uma santa aliança de magistrados sindicais com jornalistas escolhidos se coloca em estado de insurreição militante, ostentatória, designadamente contra uma ordem do Presidente do STJ que ordenou a destruição de escutas ilegais e ilegítimas, eis o que vemos, ouvimos e lemos, e não podemos ignorar.
Assino por baixo e recomendo.
Talvez também valha a pena interrogarmo-nos por que razão a ordem do Presidente do STJ, proferida há mais de dois meses, ainda não foi cumprida. Ainda estarão a ser feitas cópias e montagens seleccionadas, a distribuir pelos jornalistas amigos, para jorrar como "fontes negras" nos próximos tempos, sem possibilidades de desmentidos, uma vez que já terão sido então destruídos os originais? E haverá justiça contra mais essa campanha previsível de calúnias quando para acabar com as violações actuais a melhor solução que se tem, por parte de quem tem o dever de fazer respeitar a lei, é que... os políticos que alterem a lei, eu se dependesse de mim divulgava as escutas?

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

As saudades que eles têm do Muro e da RDA

Referido Entre as Brumas da Memória: eis o que os militantes do PCP devem pensar sobre a queda do Muro e tudo o que se lhe seguiu, as saudades eles têm da RDA, 20 anos depois:
...voltámos aos tempos da guerra-fria. Não é inocente que passados 20 anos o capital se mostre tão agressivo e se lance numa intensa campanha sobre a «queda do muro». Particularmente a burguesia alemã que ao longo da História tem recorrido sistematicamente ao militarismo, ao assassínio de democratas e revolucionários, ao trabalho escravo, inventou a industrialização da morte e o extermínio em massa nas câmaras de gás, pretende agora apresentar os acontecimentos de 1989-1990 que conduziram ao fim do socialismo e da República Democrática Alemã como um processo «revolucionário» ou «libertador» e aproveitar a ocasião para representar a farsa do seu «amor à democracia».

Vem tudo no Avante, jornal oficial do PCP.

Mais vale olhar a asperatus alterosa

uma nuvem nova à sua espera, como relata o obvious. Irá chamar-se asperatus alterosa? Voto que sim.

"Lavoisier e as escutas", segundo Valupi

Cito do Aspirina B, um blog "antianalgésico, pirético e inflamatório", que não lhe doam as mãos:

Na Justiça portuguesa nada se prova, mas também nada se perde, pois o PSD tudo transforma em miserável chicana política.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Governo de juizes com "jornalistas" por dentro

Ao que isto chegou! Um "governo de juízes" é isto mesmo: Não se pode escutar, sem mais nem menos, as três mais altas figuras da hierarquia do Estado, incluindo o Primeiro-Ministro legítimo e legitimado? Por isso não seja a dúvida: arranja-se um processo de primeira instância em que seja suspeito um amigo do PM, coloca-se sob escuta, e há-de encontrar-se um juiz que valide essas escutas. E um corpo de agit-prop, com antenas privilegiadas junto do processo, bem experimentado, que inunde os jornais de confiança com carradas de especulações.

Não tardará haverá jornalistas e deputados, em uníssono, a sugerir/exigir ao Primeiro-Ministro, a este e a todos os que hão-de vir, mas quando vierem já ninguém se lembra, que dê um prémio aos prevaricadores revelando a ele próprio o teor das conversas, ilegalmente gravadas. Que estará em causa, dirá um qualquer jornalista, de preferência já condenado e bem condenado por violação do segredo de justiça, que "o regime joga a sua própria cara e dignidade". O regime, nem Alberto João Jardim diria mais.

Tudo porque juizes e procuradores, e alguns jornalistas, puseram a pata na poça e não sabem como esconder esta estranha ideia que neste governo de coligação juizes-jornalistas vale tudo, e quando a violação da Lei não for suficiente, exige-se das vítimas que estendam o pescoço à degola, invertendo alegremente, jornalistas e deputados, o ónus da prova.

Há que dramatizar, está dado o mote, ao director-ajunto do Correio da Manha (disse manha, sim senhor), aliam-se dois vice-presidentes do PSD, Aguiar-Branco e Mota Pinto, a própria Manuela Ferreira Leite, enfim. Nada de mais: que o PM se imole no altar dos sacrifícios, que a Justiça está à rasca e os jornalistas também com a campanha que lançaram e caiu num impasse.